Com tecnologia, Praticagem trabalha pela segurança

Os navios utilizados no transporte internacional de cargas estão cada vez maiores. Suas dimensões praticamente dobraram na última década. Mas as condições geográficas dos portos permanecem as mesmas. Como conciliar essas duas realidades em Santos, que tem um canal estreito, raso e sinuoso ? Para a Praticagem de São Paulo, que reúne os profissionais responsáveis por orientar as manobras das embarcações na região, o caminho foi investir em moderna tecnologia para que o cais santista receba com toda a segurança seus navios e que o progresso e o desenvolvimento continuem a beneficiar toda a Baixada Santista.

Mas as atividades da Praticagem em prol das cidades da região vão além de sua atuação no Porto. A entidade reconhece a importância de ajudar no desenvolvimento da comunidade, através de ações sociais e culturais ou mesmo da qualificação de jovens para o mercado de trabalho.

Queda de braço no Porto

Os armadores e seus navios é que devem se adequar ao Porto de Santos, não o contrário. Com esta declaração firme, o novo presidente da Praticagem de Santos, Cláudio Paulino, marca a posição da entidade, diante da tendência, em andamento, de o maior complexo portuário do hemisfério sul receber embarcações cada vez maiores.

Cada vez mais, operam no porto navios com até 355 metros de comprimento (a média de uma embarcação normal é 266 metros), capazes de transportar mais cargas, sim, mas que necessitam de condições especiais: berços de atracação maiores, um canal de navegação mais profundo, mais procedimentos de segurança...

No entanto, segundo Paulino, só quem leva vantagem neste cenário é o armador. "O seu custo operacional diminui, mas nem por isso ele repassa essa redução para o frete. O dono da carga e o porto nada ganham com isso", argumenta. Mais do que isso. "O porto é obrigado a realizar investimentos em dragagem e segurança na navegação para poder receber estas embarcações", completa o presidente, que assumiu o cargo no primeiro dia deste ano e recebeu jornalistas esta semana, para anunciar os planos da Praticagem nos próximos dois anos.

Praticagem de São Paulo


Novo presidente da Praticagem fala em investimentos e impasse com CNAP

O novo presidente da Praticagem de Santos, Claudio Paulino Costa Rodrigues, afirma que tem dois desafios importantes pela frente: manter e aprimorar os investimentos tecnológicos em segurança da navegação e continuar lutando contra a redução das taxas da Praticagem em até 70%, propostas pelo governo federal, por meio da Comissão Nacional para Assuntos de Praticagem (CNAP).

A nova diretoria tomou posse no dia 1º de janeiro para o biênio 2015-2016 e terá que fazer, segundo demonstra o presidente, muitas manobras junto à CNAP e armadores estrangeiros, em defesa do faturamento da Praticagem pela manutenção dos serviços prestados atualmente nos portos de Santos e São Sebastião.

Os práticos são responsáveis pelas manobras dos navios nos portos brasileiros e são remunerados atualmente conforme a tabela de preços estabelecida em 2010 pela Diretoria de Portos e Costas (DPC), da Marinha do Brasil. Rodrigues explica que os valores das taxas da praticagem estão congelados desde 2011, conforme portaria instituída pela DPC.

Novo presidente da Praticagem defende limite para embarcações

O presidente da Praticagem de São Paulo, Cláudio Paulino, defende que seja estabelecido um limite para as dimensões dos navios que trafegam no Porto de Santos. Além da restrição de calado (distância vertical da parte que permanece submersa), para o prático, apenas embarcações de até 266 metros poderiam trafegar pelo complexo. A medida,segundo ele, aumentaria a segurança e não aumentaria os custos operacionais.

“Por que o Porto tem que se adaptar aos navios e os navios não precisam se adaptar ao Porto?”, questiona Paulino. Ele se refere às constantes tentativas de armadores e terminais de trazer embarcações cada vez maiores ao cais santista, mesmo com as limitações geométricas do canal.

Praticagem muda comando e luta contra teto máximo

Pouco antes de deixar a presidência do Conselho Nacional de Praticagem (Conapra), para entregar o bastão a Gustavo Alves Martins, de Paranaguá (PR), Ricardo Falcão publicou nota, na qual fez apelo ao novo comandante da Marinha, Eduardo Leal Ferreira. Em resumo, os práticos dizem esperar que, com Leal Ferreira, “ a praticagem, como instituição de estado, será preservada dentro dos padrões técnicos e de segurança da navegação internacional”. Os práticos relembram que a morte de 304 mortos, na Coréia do Sul e o maior acidente ecológico do mundo, o naufrágio do “Exxon Valdez” se deveram a normas que relaxaram a atividade dos práticos. Citaram: “ O episódio foi o ponto de virada no entendimento internacional da importância de se ter uma praticagem compulsória regulada pelo estado e executada apenas por práticos”. Gustavo Alves Martins seguirá, como Falcão, luta para convencer o governo a não fixar teto máximo para esses serviços.

No primeiro governo Dilma, a Comissão Nacional de Assuntos de Praticagem fixou preços máximos para o setor. O Conapra conseguiu evitar a aplicação dessa norma, através de medida liminar. Assim, reina a insatisfação mútua no setor. Os armadores conseguiram a imposição de teto máximo nas cobranças, o que foi adiado pela justiça. Já os práticos alegam que resolveram suspender investimentos em centros de tecnologia, lanchas e helicópteros, pois a continuação de seus serviços pelo modelo atual está ameaçada, uma vez que medida liminar não dá segurança alguma para o futuro. Por isso, o setor vive essa indecisão e, enquanto os armadores querem a confirmação do teto máximo de cobrança, os práticos criticam duramente a Comissão do governo e inclusive contestaram a primeira medida editada. Agora, os práticos apostam em apoio de Leal Ferreira.

No Norte do País, uma fonte revela à coluna insatisfação específica dos armadores. Diz: “ A mudança de local para embarque e desembarque de práticos no Amapá, determinada pela Capitania dos Portos no Estado, em portaria do dia 28 de novembro, aumentou, sem justificativa, as distâncias, o tempo de viagem e os custos da navegação na Bacia Amazônica. A nova regra vale apenas para embarcações de bandeira estrangeira – algo questionável do ponto de vista legal. Macapá é porta de entrada para a Zona Franca de Manaus, com intenso tráfego de embarcações: cerca de cinco navios semanais no segmento de contêiner. Aparentemente, a medida só beneficia as empresas de praticagem, que poderão cobrar mais pelo acréscimo nos deslocamentos e nas manobras. Hoje, sem as mudanças, já são realizadas 3.834 manobras anuais com praticagem no Amapá”.

Fonte: NetMarinha

Praticagem participa de simulado no Porto de Santos


A Praticagem recebeu um aviso inusitado no dia 10 de dezembro: um navio precisava ser manobrado para desembarque de um tripulante com suspeita de ter contraído ebola em sua passagem pela África. A partir daí, o prático foi acionado para realizar a manobra cercada de cuidados especiais para evitar a contaminação. Era, porém, tudo simulação.