Idealizador da Santos 17 defende aprofundamento do canal

Presidentes e diretores de terminais do Porto de Santos se uniram para agilizar o início do novo aprofundamento do canal do complexo marítimo. Eles defendem ampliar a profundidade de todo o acesso aquaviário dos atuais 15 para 17 metros de uma única vez e, para tanto, ofereceram custear os estudos necessários à obra. A proposta foi apresentada por representantes do grupo, batizado como Santos 17, ao ministro dos Portos, Edinho Araújo, em audiência na última terça-feira, em Brasília.

Entre os executivos, estava o novo diretor-presidente da Brasil Terminal Portuário, Antonio Passaro, no comando da empresa desde o ano passado. Idealizador da iniciativa, ele acredita que fazer essa dragagem o quanto antes é essencial para Santos se consolidar como o hub port (porto concentrador de cargas) da América do Sul e receber navios de até 14 mil TEU (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) – hoje, os maiores a escalar na região são os de 10 mil TEU. Em entrevista exclusiva para A Tribuna, Passaro explicou como surgiu o projeto, por que esse é o momento certo para aprofundar o Porto e quais os próximos passos do Santos 17. Confira a seguir.

A concorrência nos serviços de Praticagem


A praticagem, profissão de desafios, é executada a bordo de navios em passagens, estreitos, canais, baías, portos e outras áreas confinadas de águas restritas. É uma profissão que requer experiência e conhecimento especializados. Manobrar um navio não é tarefa fácil. Diferentemente da maioria das profissões, a ocorrência de um acidente durante o exercício dessa atividade pode afetar a segurança de vidas, da navegação, da propriedade e do meio ambiente. Evitar acidentes no mar que podem impor riscos à vida, à carga e ao meio ambiente, garantir um fluxo seguro, rápido e regulamentado do tráfego marítimo e contribuir para a economia local com as receitas das taxas cobradas pelos serviços de praticagem foram os fatores principais que contribuíram para o surgimento e o crescimento da profissão de prático. (Erol, A. "Pilots and Pilotage" denizhaber.com, 1988).

CONVOCAÇÃO DO SEGUNDO GRUPO PARA RECEBIMENTO DO CERTIFICADO DE HABILITAÇÃO DE PRATICANTE DE PRÁTICO


ZP-02 • ZP-04 • ZP-07 • ZP-09 • ZP-11 • ZP-12 • ZP-14 • ZP-15 • ZP-19 • ZP-21 • ZP-22
ZP-01 • ZP-16 • ZP-17

DPC altera prazo de validade do Certificado de Habilitação de Praticante de Prático e prazo para a conclusão do Programa de Qualificação

I - No Capítulo 2 - “DOS PRÁTICOS”:

1. Na Seção II - “DA CERTIFICAÇÃO, DA QUALIFICAÇÃO DO PRATICANTE DE PRÁTICO E DO EXAME DE HABILITAÇÃO PARA PRÁTICO”:
1.1 No item 0222 - “CERTIFICAÇÃO”:
1.1.1 Na alínea b:
1.1.1.1 Substituir o texto pelo seguinte:

“b) O prazo de validade do Certificado de Habilitação de Praticante de Prático será de 21 (vinte e um) meses a contar da data de sua emissão, que será a estabelecida, no Edital de Homologação do Resultado Final do Processo Seletivo, para a apresentação do candidato, selecionado para primeiro grupo, na CP/DL/AG com jurisdição sobre a ZP para onde foi distribuído.”; e

1.2 No item 0223 - “QUALIFICAÇÃO DO PRATICANTE DE PRÁTICO”:
1.2.1 Na alínea b:
1.2.1.1 Substituir o texto pelo seguinte:

“b) O prazo para a conclusão do Programa de Qualificação será de, no mínimo, 12 (doze) meses e, no máximo, de 18 (dezoito) meses, contados da data de emissão do Certificado de Habilitação de Praticante de Prático. Excepcionalmente, o prazo mínimo para a conclusão do Programa de Qualificação poderá ser alterado pela DPC, para uma ou mais ZP.”.

Após 1 ano e meio, TCU libera o primeiro leilão em portos públicos

Após um ano e meio de tramitação – e quase dois anos e meio depois do lançamento, pelo governo, do programa de investimento para o setor portuário -, o Tribunal de Contas da União (TCU) liberou nesta quarta-feira (6) o governo federal a realizar o primeiro leilão de arrendamento de terminais em portos públicos.

Desde outubro de 2013, a corte vinha analisando os estudos apresentados pelo governo para o arrendamento de 29 áreas nos portos de Santos (SP), Belém (PA), Santarém (PA), Vila do Conde (PA) e Outeiro e Miramar (PA).

A demora se deveu a uma sucessão de pedidos de vista do processo, quando os ministros da corte, que participam dos julgamentos, requerem mais tempo para analisar uma questão.

Conheça o homem que manobra navios na Lagoa dos Patos


Poucos conhecem as hidrovias que chegam e partem de Porto Alegre tão bem quanto Amaro Vasconcellos de Paiva. As quase cinco décadas de navegação pelos 10 mil quilômetros quadrados de superfície lhe conferiram a precisão de uma carta náutica. Bancos de areia, meandros, profundidades, perigos e riquezas. Nenhum detalhe lhe escapa. Nestas águas, ele é Seu Paiva. Aos 78 anos, o decano da praticagem na Lagoa dos Patos.

Sua função é controlar os rumos de embarcações que se aventuram pela laguna. Como os comandantes de navios estrangeiros que ali chegam nada conhecem da geografia local, é Paiva — e os outros sete práticos da Associação de Praticagem da Lagoa dos Patos, fundada em 1º de maio de 1935 — quem aconselha a autoridade máxima da embarcação e dá as coordenadas ao timoneiro.

— O prático precisa ser “safa-onça”, saber os caminhos, conhecer os canais. O comandante estrangeiro não conhece as hidrovias da região. A função do prático, então, é guiá-lo por águas desconhecidas — explica o navegador.

O velho marinheiro hoje é ele. Parrucho, como se define (uma mistura entre sua origem paraense com gaúcho), iniciou a vida de navegador na Escola Mercante do Estado do Pará. Após três anos de aulas, embarcou por quase uma década como membro da Frota Nacional dos Petroleiros. Percorreu a costa brasileira, o Mar do Caribe e parou no Rio Grande do Sul “a mando do destino”. Amparado pelas memórias, tem a convicção de que ainda não é hora de parar:

— Não pretendo parar tão cedo. Vou ficar fazendo o quê? Ficar jogado no sofá? Estou enxergando bem e até faço ginástica.

Se filho de prático, prático fosse, os três filhos de Paiva teriam de ter nível superior em qualquer área, habilitação de mestre-amador, conhecimentos de inglês e, a partir do processo seletivo da Marinha do Brasil, conquistar uma vaga no curso de “praticante de prático”. Com certificado em mãos, então práticos, trabalhariam como profissionais liberais e ganhariam algo em torno de R$ 20 mil mensais, caso atuassem na Lagos dos Patos (em alguns locais do país, como no Maranhão, o valor pode passar dos R$ 100 mil por mês, mas a média no Brasil é de R$ 30 mil).

O trio não quis seguir os caminhos do pai, mas tampouco o privou de orgulho. A filha, Iara (senhora das águas, em tupi), formou-se em Direito e, no trabalho de conclusão, analisou o direito marítimo, a praticagem e a proteção ambiental.

Fonte: Jornal Zero Hora